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O que é um transplante de ilhotas pancreáticas?

   Porque um transplante de ilhotas pancreáticas?

   A base do tratamento do diabetes tipo I são as aplicações diárias de insulina, chamada insulinoterapia. Esse tipo de tratamento reconhecidamente possui limitações, não evitando por completo as complicações crônicas do diabetes e apresentando os riscos de episódios intermitantes de hipoglicemia grave. A medicina busca alternativas para prover algum tipo de produção endógena (pelo próprio organismo) de insulina, para evitar essa complicações. Essas alternativas consistem no transplante de ilhotas pancreáticas, sejam elas de maneira isolada ou transplantando o órgão inteiro.

   O que são as ilhotas pancreáticas?

   São o conjunto de células, localizadas no pâncreas, que são responsáveis pela produção de insulina. Essas células são obtidas de um pâncreas de um doador cadáver (paciente em morte encefálica), depois elas são separadas e purificadas em laboratório.

   Como é feito o transplante de ilhotas pancreáticas?

   Após o processo de purificação dessas ilhotas, elas são injetadas através da veia porta em direção ao fígado, onde se acomodarão e passarão a produzir insulina. A cirurgia tem uma duração média de 40 minutos, com recuperação rápida.

   O transplante de ilhotas pancreáticas é mais simples que o transplante de pâncreas?

   Considerando apenas o procedimento cirúrgico, é mais simples que o transplante de pâncreas. Entretanto não é isento de riscos.

   Quem tem indicação de realizar um transplante de ilhotas pancreáticas?

   O candidato a este tipo de transplante deve ter diabetes tipo 1 há mais de 5 anos, com idade superior a 18 anos, sem complicações e com a função renal normal, peso não superior a 60 kg, uso de menos de 30U de insulina por dia e com freqüentes crises de hipoglicemia severa que passam despercebidas. Nesses casos, a substituição da insulina pela imunossupressão é totalmente justificada.

   Tenho que tomar medicamentos imunossupressores para o resto da vida?

Sim, assim como os que recebem o transplante de pâncreas. É importante dizer que, quando se faz o transplante, tanto de ilhotas como de pâncreas, não se pode garantir que o paciente ficará independente das aplicações de insulina. Na grande maioria dos casos, a quantidade de insulina necessária fica, no mínimo, diminuída, o que já é um grande conforto para as pessoas que sofriam de hipoglicemias assintomáticas.

   Se o transplante de ilhotas proporciona a produção de insulina, porque não é indicado para todos os pacientes diabéticos do tipo I?

   Pela necessidade de uso de medicação imunossupressora. Ela induz uma diminuição da imunidade do paciente, para evitar que o seu organismo rejeite as células implantadas. Isso ocasiona um aumento de risco de infecções e de desenvolvimento de câncer. Por esse motivo os benefícios do transplante devem superar os riscos da imunossupressão. Essa avaliação só pode ser conduzida por médicos capacitados.

   Quais são as limitações do transplante de ilhotas pancreáticas?

   O processo de obtenção das ilhotas pancreáticas é trabalhoso e caro. Normalmente são necessários dois pâncreas de doadores cadáveres inteiros para se obter quantidade suficiente de células para um receptor do transplante de ilhotas pancreáticas. Isso dificulta a obtenção de órgãos para o processo de purificação, haja vista que o transplante de pâncreas é uma modalidade de transplante bem estabelecida na comunidade médica.

   O transplante de ilhotas pancreáticas cura o diabetes?

   Não estamos falando em cura, é um tratamento para o diabetes. Se a pessoa parar de tomar a medicação imunossupressora as células transplantadas pararão de funcionar.

   Como saber se tenho indicação de realizar o procedimento?

Conversando com o seu médico endocrinologista, ele realizará uma avaliação, se necessário realizará um encaminhamento para equipes que realizam o procedimento.

   Esse procedimento é realizado no Brasil?

   Sim. A Pontifícia Universidade Católica do Paraná, possui um programa de transplante de ilhotas pancreáticas.

   O SUS cobre o transplante de ilhotas pancreáticas?

   Não. O transplante de ilhotas pancreáticas ainda é considerado um procedimento experimental, ou seja, ainda em fase de estudos, e isso não é coberto por nenhum sistema de saúde, seja ele privado ou governamental.

 

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