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Esôfago de Barret

Última atualização em Sex, 12 de Novembro de 2010 10:24

   O esôfago de Barret é uma doença em que a coloração e a composição das células da parte distal (inferior) do esôfago apresentam alterações decorrentes da exposição repetida ao ácido proveniente do estômago.

   Essa exposição repetida ao ácido do estômago mais frequentemente é decorrente de doença do refluxo gastro-esofágico (DRGE) por longo período de tempo.

   O esôfago de Barret é uma doença incomum. Somente uma pequena porcentagem dos pacie ntes com DRGE desenvolvem a doença. Mas, uma vez diagnosticado, existe o risco de desenvolvimento de câncer de esôfago. Apesar de ter o risco aumentado, o risco absoluto de uma pessoa desenvolver câncer de esôfago a partir do Barret é considerado baixo - menos de 1% ao ano.

  É possível eliminar ou reduzir a frequência da exposição da porção inferior do seu esôfago ao ácido proveniente do seu estômago - e a chance de desenvolver esôfago de Barret - por modificações em seu estilo de vida.

   O esôfago de Barret causa sintomas?

   A condição em si não possui sintomas específicos. Entretanto, pirose (azia) e o refluxo ácido - sensação de líquido amargo na boca - são sintomas comuns da DRGE. E a pessoa que tem DRGE pode desenvolver o esôfago de Barret.

   Um sinal da doença observado durante a realização de uma endoscopia digestiva alta, é quando o tecido que reveste internamento o esôfago em sua porção inferior muda de sua coloração rósea para uma coloração salmão. Essa mudança de tecido, chamada metaplasia, é causada pela repetida e longa exposição ao ácido proveniente do estômago.

   Qual a causa do esôfago de Barret?

   A causa exata não é conhecida, mas a doença comumente se desenvolve nas pessoas que têm DRGE.

   O anel muscular (esfíncter) localizado na junção do esôfago com o estômago normalmente mantêm o ácido em seu estômago. A DRGE geralmente resulta de um esfíncter enfraquecido, e pode ser agravado pela protrusão da porção superior de seu estômago através do orifício muscular (hiato) do diafragma, a chamada hérnia de hiato.

   Se deixada sem tratamento, a DRGE pode ocasionar complicações mais graves. Azia severa com tecido esofágico inflamado (esofagite) pode ocasionar dor no peito de tal intensidade que pode mimetizar um problema cardíaco. Outras complicações de DRGE podem incluir estenose (estreitamento) esôfágico, sangramento, doença de Barret e câncer de esôfago.

   Quais são os fatores de risco para esôfago de Barret?

   Os fatores envolvidos são: doença do refluxo gastro-esofágica crônica, sexo masculino, raça branca ou hispânica, idade avançada. 

   Como é realizado o diagnóstico?

   O diagnóstico do esôfago de Barret é difícil porque geralmente ele não exibe sintomas específicos. A sensação de DRGE severa e frequente pode ser a melhor indicação que você possui a doença ou tem risco de desenvolvê-la.

   Se você possui DRGE severa ou possui a doença por vários anos, seu médico poderá diagnosticar a doença pelo exame de seu esôfago através da endoscopia digestiva alta. A endoscopia é realizada pela introdução de um tubo flexível (endoscópio) com uma câmera em sua ponta através de sua boca, até o esôfago, estômago e duodeno.

   Esse procedimento permite que o médico procure anormalidades como mudanças celulares pré-cancerígenas (displasia) ou uma junção anormal entre o seu esôfago e estômago. Em um esôfago saudável, a junção do esôfago com o estômago é na porção inferior do esôfago. No esôfago de Barret, essa junção é modificada para cima. Se existe a suspeita de esôfago de Barret, seu médico também procurará evidências de lesões displásicas ou de câncer.

   Durante a endoscopia, na suspeita de Barret, o médico poderá remover amostras de tecido (biópsias) de áreas potencialmente alteradas para realizar um exame microscópico. Se esse exame microscópico, chamado anátomo-patológico, demonstrar a presença de células intestinais globosas, normalmente não presentes nesse local, seu médico poderá realizar o diagnóstico de esôfago de Barret.

   Seguido do diagnóstico, seu médico poderá solicitar endoscopias de controle em intervalos regulares, na dependência do resultado de seu exame anátomo-patológico.

   Quais são as complicações da doença?

  O esôfago de Barret aumenta o risco de surgimento de câncer de esôfago. O quão mais precoce a metaplasia é detectada, melhor é o resultado do tratamento da doença. 

   As mudanças teciduais pré-cancerígenas (displásicas) causadas pela doença podem variar de baixo grau (alterações leves, porém significantes), de alto grau (alterações sérias) até câncer invasivo. Quando a displasia de alto grau está presente, geralmente o câncer também está. O câncer pode se espalhar dos linfonodos em sua volta e para outras partes de seu organismo. Se a displasia de alto graua estiver presente, é bem provável que seu médico irá solicitar exames adicionais para procurar outros sinais de câncer (uma tomografia de tórax ou uma ultrassonografia endoscópica, por exemplo)

   Como é realizado o tratamento da doença?

   O principal objetivo do tratamento é prevenir o desenvolvimento de câncer do esôfago. Não é muito tarde tratar lesões displásicas se elas ainda não avançaram para câncer.

   O tratamento para o Barret é iniciado com o controle da doença do refluxo gastro-esôfágico, que é realizado pela modificação de alguns hábitos de vida e medicação.

   No tratamento da DRGE alguns pacientes poderão ter indicação  de tratamento  procedimento cirúrgico (fundoplicatura à Nissen por vídeo-laparoscopia). Apesar da cirurgia ser efetiva para a DRGE, uma vez presente a metaplasia de Barret, acompanhamento é necessário, pois a cirurgia não é garantia para a regressão da metaplasia.

   Se você possui câncer de esôfago, ou uma displasia de alto grau, seu médico poderá recomendar um procedimento cirúrgico de grande porte, com a remoção completa do esôfago (esofagectomia).

   O tratamento cirúrgico de pacientes com displasia de alto-grau é controverso. Alguns especialistas que a esofagectomia deva ser utilizada como uma medida de proteção contra o câncer. Outros especialistas, acreditam que endoscopias seriadas a cada 3-6 meses seguida de esofagectomia somente se o câncer se desenvolver. Os médicos geralmente não indicam cirurgia para pacientes com piora do estado de saúde ou muito doentes para "encarar" um procedimento cirúrgico de grande porte.

   Existem alternativas ao tratamento cirúrgico?

   A ablação (remoção) da área de displasia pode potencialmente reverter o esôfago de Barret, e pode prevenir o câncer de esôfago. Combinados com terapia medicamentosa (inibidores da bomba de prótons), essas terapias podem ser apropriadas, especialmente se o paciente não é um bom candidato à esofagectomia. Os procedimentos de ablação incluem: eletrocauterização, laser, coagulação com plasma de argônio e ressecção endoscópica da mucosa. A eficácia a longo-prazo desses procedimentos ainda estão sob estudo.

 

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Essas informações não possuem a intenção de substituir conselhos médicos profissionais. Você não deve utilizar essas informações para diagnosticar ou planejar um tratamento para um problema de saúde sem consultar um médico qualificado. Se você está em alguma situação que coloque em risco sua saúde ou de emergência, procure ajuda médica.

 

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